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--- Cleber se vê injustiçado no Santos e diz que levou culpa por punição da Fifa: “Isso me prejudicou” ---

por Cidadã FM

em 16 de fevereiro de 2021


19 de janeiro de 2017. Foi nesta data que o Santos anunciou Cleber como reforço. Naquele momento, o zagueiro não tinha ideia, porém, do que seriam os próximos anos de sua carreira.

De lá para cá, Cleber vestiu a camisa do Santos em apenas dez oportunidades, acumulou empréstimos e, sem ter culpa alguma, se tornou pivô de uma punição da Fifa sofrida pelo clube por causa do atraso no pagamento de sua contratação ao Hamburgo, da Alemanha – quitada em outubro do ano passado.

Cleber atendeu a reportagem do ge via chamada de vídeo e desabafou. Ele acredita que a sanção pela dívida não paga pelo Santos prejudicou sua carreira.

– Mudou (a visão do torcedor sobre ele). Achavam que eu era o culpado, me xingavam, falavam um monte de coisas para mim. Nem respondia as mensagens. É de clube para clube. Não tem nada a ver comigo. Isso me prejudicou e me prejudica até hoje – resumiu.

Cleber chegou ao Santos com prestígio, especialmente por causa da boa passagem no rival Corinthians anos antes. Não à toa, foi contratado por 2 milhões de euros (R$ 7,3 milhões, na cotação da época) – no fim das contas, por causa dos atrasos, o Peixe teve de desembolsar cerca de R$ 20 milhões, quase o triplo do valor inicial, para dar fim ao imbróglio com o Hamburgo na Fifa.

– Infelizmente não foi o que eu esperava. Desde que cheguei no Santos, me falaram uma coisa e quando cheguei foi outra. Não sei onde errei, o que eu fiz ou qual palavra que falei que ninguém gostou. Sempre todos os treinadores chegam com má impressão minha. O Santos acabou me frustrando muito. Tenho fé que vou conseguir recuperar meu espaço e receber oportunidades para mostrar meu trabalho – disse o zagueiro.

Embora Cleber tenha esperança em voltar a atuar pelo Santos, não há previsão de que isso aconteça. Até agora, o zagueiro já foi emprestado para Oeste, Coritiba, Paraná e Ponte Preta.

Atualmente, o zagueiro treina em horários diferentes aos do elenco principal. É assim desde que retornou do empréstimo para a Ponte Preta, onde fez apenas cinco jogos em 2020, o último deles em março. Ele, portanto, não joga uma partida oficial há quase um ano.

– O Santos me tratou como um torcedor. O clube não pode julgar um atleta e desvalorizar desse jeito. Acho que deveriam ter um pouco mais de respeito e consideração por mim, mas se não tiveram eu tenho que lutar, buscar meu espaço e mostrar que tenho valor. Com o Santos ou sem o Santos. A gente fica triste, mas não vou ficar murmurando.

– As pessoas ficam falando em rescindir contrato e isso frustra o jogador. Não dão valor para ninguém. Isso já vem de berço no Santos. Não dá muito valor para quem eles contratam. Você chega no Santos para tampar caixão, porque o foco do Santos é a base. Não está errado, mas contratar e não dar o auxílio que o jogador precisa fica difícil – finalizou Cleber.

 

Cléber Reis na época em que defendeu o Santos — Foto: Ivan Storti/Santos

Cléber Reis na época em que defendeu o Santos — Foto: Ivan Storti/Santos

Veja a entrevista com Cleber:

 

ge: Você foi procurado para rescindir o contrato?

Cleber: Não me procuraram (para rescindir). Chegou até mim essa conversa. Tem pessoas lá dentro que gostam de mim. Fiquei triste e abalado, mas vou trabalhar. Quero tentar fazer uma mínima história no Santos. Sei que consigo se eu tiver oportunidade. Não sei se eu conseguiria fazer acordo para rescisão.

Por que acha que não teve sucesso enquanto esteve emprestado?

– Infelizmente em todos os empréstimos eu cheguei no meio de temporada, só no Coritiba que não. Lá foi o clube que mais fui feliz, ainda relutei para poder ficar, mas não deu certo. Não tive nenhuma glória nesses times para os quais fui emprestado, mas sou grato por ter jogado por eles. Empréstimo a gente vai sujeito a crescer e a diminuir. Hoje em dia, se for emprestado de novo, vou ter muita cautela para onde ir, não me expor em qualquer lugar. É melhor ficar treinando sozinho ou me juntar ao grupo do Santos. Está tudo em aberto. Se vier um treinador e me puxar para me dar oportunidade, tudo começa do zero. Aí a gente vai à luta de novo.

Você se arrepende de ter acertado com o Santos?

– Arrependimento é uma palavra difícil. Fico triste e confuso com tudo o que aconteceu. Deixar a Alemanha foi uma decisão difícil. Tudo aquilo que busquei lá fora e chegar aqui e não ser valorizado como eu era, não ter credibilidade como atleta. Isso me deixou triste. Mas acho que não podemos nos arrepender das nossas escolhas. Não guardo mágoa de ninguém. É uma coisa que não entra no meu coração, não leva a nada.

Pensa em acionar o clube na Justiça? Houve algum problema com pagamentos, dada a situação financeira delicada do clube?

– O Santos me paga certinho. Jamais vou querer acionar o Santos na Justiça. Ali tem pessoas que trabalham, que têm família. Tenho muito caráter. Não tenho essa índole para isso.

Desde que você chegou ao Santos, o clube já teve quatro diretorias diferentes (Modesto Roma, José Carlos Peres, Orlando Rollo e agora Andres Rueda). Algum deles te procurou?

– Entra um, sai outro e é todo mundo contra mim. O único que me procurou foi o Peres, mas demorou essa reunião… Passei para ele toda a minha situação e ele falou que me respeitaria como atleta, mas não mudou nada e só falou da boca para fora.

Você sempre foi um cara alto astral. Como tem sido o Cleber no dia a dia diante de toda essa situação? Espera recuperar espaço no Santos?

– Treinar afastado e não ser aproveitado pelo Santos me deixa muito triste, para baixo. Mesmo com minha energia, com meu alto astral.. Acho que minha energia não contagia algumas pessoas lá dentro. Sempre serei o mesmo. Trabalhei com humildade, foco. Tenho cabeça tranquila quanto a isso. Fiz meu trabalho, busquei.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/sp/santos-e-regiao/futebol/times/santos/noticia/cleber-se-ve-injusticado-no-santos-e-diz-que-levou-culpa-por-punicao-da-fifa-isso-me-prejudicou.ghtml

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