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--- Escolas reabrem entre medo da covid-19 e do atraso no aprendizado: “Já ficamos um ano sem aula. Mais um é inaceitável” ---

por Cidadã FM

em 2 de fevereiro de 2021


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“Dá um pouco de medo, mas acho que vou mandar sim, não dá mais para ficar em casa né”, diz a mãe de uma aluna da segunda série de sete anos de idade. “Vou esperar um pouco nesse começo, depois ela volta”, afirma outra sobre a filha de cinco anos. “Ainda não sinto que é seguro mas não posso mais esperar, ele precisa da escola”, diz uma terceira ao EL PAÍS sobre o filho de 10 anos. Após quase um ano sem receber alunos para atividades de ensino regulares, sem vacina à vista tanto para trabalhadores quanto para estudantes e com muitas incertezas dos pais em meio ao agravamento da pandemia de covid-19 no país, começa a volta às aulas de milhões de alunos Brasil afora. Os governos de pelo menos 10 Estados marcaram a volta às aulas em fevereiro enquanto o de outros seis, incluindo o DF, para março.

Em São Paulo, para deixar a situação ainda mais confusa, no final de semana uma guerra de liminares primeiro suspendeu e depois confirmou a volta das atividades presenciais, que foram retomadas a partir desta segunda-feira na rede privada de ensino. Na rede estadual, as aulas presenciais voltam no dia 8, e na municipal, dia 15. No Estado, atualmente com todas as regiões e cidades nas fases laranja ou vermelha de restrições por conta da pandemia, as aulas presenciais seguem permitidas para alunos de todas as idades com regras de distanciamento social, uso de máscaras e higiene pessoal com até 35% do número de alunos por vez. Na maioria dos Estados, os pais podem escolher se mandam os filhos para a escola neste primeiro momento ou não. Assim, os colégioss devem promover um revezamento entre os estudantes para participação nas aulas presenciais e no ensino remoto.

“Manter as escolas fechadas não está protegendo a maioria das crianças da pandemia e ainda as expõe a uma série de outros riscos como desnutrição, violência e déficit de aprendizado”, afirma a pediatra Ana Escobar, que apoia o retorno imediato das escolas. “Até aqui ficamos um ano sem escola, ficar outro ano é inaceitável. Principalmente se a gente pensar nas crianças mais vulneráveis, porque em casa não trem estrutura pra aprender, os pais não conseguem ajudar, não tem com quem deixar, como alimentar, a escola tem que estar lá, não dá mais para esperar”, diz.

A pediatra diz que estudou os protocolos de segurança estabelecidos pelo Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo contra a pandemia para a volta às aulas e concluiu que as medidas são suficientes para garantir um retorno seguro. “Pelo que a gente viu, tanto as escolas particulares como públicas fizeram adaptações importantes e estão se preparando para fazer uma volta às aulas segura”, diz. Segundo ela, nas escolas públicas funcionários, professores e alunos vão receber equipamentos de proteção pessoal como máscaras e kit de higienização das mãos, e está sendo tomado um cuidado maior para equipar banheiros com papel e sabão. “As salas também estarão com as janelas abertas e com a capacidade de alunos reduzida, será possível manter o distanciamento social. Com isso temos a maior segurança possível para as crianças, funcionários e famílias”.

Escobar afirma que hoje está convencida da segurança de reabrir as escolas para os alunos. “As escolas que já reabriram ao redor do mundo não causaram uma explosão no número de casos, não foi constada essa relação de causa e efeito em lugar nenhum”, diz a pediatra. Ela afirma que estatisticamente é possível afirmar que a transmissibilidade do novo coronavírus é menor entre crianças e que a quantidade de casos que evoluem para estágios graves da doença são raros nessa população.

Ela acredita que famílias que tenham condições de segurar as crianças em casa mais algumas semanas podem fazê-lo sem problemas, mas que mais cedo ou mais tarde terão de mandar os filhos de novo para a escola, mesmo que a pandemia não esteja controlada. Ela acredita que os pais devem preparar-se para o eventual fechamento das escolas novamente, de acordo com a evolução da pandemia. “Este ano devemos nos preparar um abre e fecha das escolas muito dinâmico, já que a evolução da pandemia acontece dessa forma também. Mas a escola tem que ser a última que fecha e a primeira que abre”, afirma Escobar.

O infectologista Marcelo Otsuka, vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, concorda que não dá mais para esperar. “Como sociedade é prioridade voltarmos nossos esforços para que as crianças voltem às escolas”, afirma Otsuka. O médico apoia o retorno pois, segundo ele, já foi possível constatar que a doença em crianças e adolescentes não costuma manifestar-se de forma violenta e causar complicações. “No geral, nessas faixas etárias o vírus não é muito diferente de vários outros que não fecham escolas”, afirma.

Ele diz, no entanto, que diversos fatores devem ser observados para que o retorno seja feito em segurança. “As crianças transmitem, então algo que os pais devem considerar antes de mandar para a aula é se essa criança convive com algum idoso ou pessoa dos grupos de risco. Se sim e se for possível, talvez seja melhor esperar mais um pouco”, diz. Otsuka também cobra rigor na aplicação de medidas de segurança contra a covid-19 como barreiras físicas entre os alunos, equipamentos de proteção pessoal para todos, uso de máscaras obrigatório, sabão, água e álcool em gel disponível nas escolas, entre outras coisas.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-02/escolas-reabrem-entre-medo-da-covid-19-e-do-atraso-no-aprendizado-mais-um-ano-sem-aula-e-inaceitavel.html

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