No Ar - Madrugada Cidadã

A Seguir - 06:00 Raiz da Cida


--- Hospitais dos EUA jogam fora doses de vacina por falta de ‘público alvo’ ---

por Cidadã FM

em 11 de janeiro de 2021


Em alguns hospitais, centros de saúde e farmácias nos Estados Unidos, existem frascos de vacinas para Covid-19 que não estão chegando aos braços dos cidadãos.

Dos mais de 22 milhões de doses da vacina que foram distribuídas a hospitais e farmácias nos Estados Unidos, apenas cerca de 6,7 milhões de pessoas receberam sua primeira dose, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos EUA.

Não há uma razão para o lançamento lento ou as doses que não estão sendo utilizadas. Especialistas dizem que nunca seria fácil começar uma campanha de vacinação em massa durante uma pandemia, pois leva tempo para vacinar e monitorar muitas pessoas, e algumas instalações estão escalonando as vacinações da equipe para evitar que muitos profissionais de saúde se juntem no mesmo local ao mesmo tempo.

A oferta e a demanda nem sempre se alinham. Alguns dos grupos de maior prioridade – profissionais de saúde e residentes de instituições de longa permanência – não querem a vacina, ou pelo menos ainda não. Ao mesmo tempo, a Associação Médica Americana (AMA) disse na sexta-feira (8) que estava “preocupada” que alguns profissionais de saúde não empregados em hospitais ou sistemas de saúde enfrentem dificuldades para acessar a vacina.

Para acelerar o processo, o governo federal está pedindo aos estados que ofereçam a vacina para pessoas mais velhas ou em grupos de alto risco, mas algumas áreas ainda estão se concentrando nos primeiros grupos prioritários – mesmo que isso signifique que doses retiradas do frio do armazenamento fiquem sem uso.

“Todos pensamos que o verdadeiro problema seria a escassez de doses, que teríamos até filas nas calçadas, e o que estamos descobrindo é que, pelo que ouvimos em nível nacional, ainda há muita vacina”, afirmou o doutor Neil Calman, presidente e CEO da Instituto para a Saúde da Família, uma organização de saúde sem fins lucrativos que inclui o Centro de Saúde da Família do Harlem, à CNN na sexta-feira (8).

“Cada dose que está no braço de alguém é uma pessoa que não vai ficar doente com Covid-19. Não adianta nada tentar racionar assim, semana após semana, porque qualquer dose aguardando na geladeira é uma vida que não está sendo potencialmente salva”.

Procurando pessoas para vacinar

O debate está acontecendo na esfera política no estado de Nova York, onde o governador Andrew Cuomo pressiona hospitais a se moverem mais rápido. Enquanto isso, o prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, pressionou para começar a vacinar mais grupos prioritários.

A ampliação começa na segunda-feira (11), quando Nova York será aberta para socorristas, professores e residentes com 75 anos ou mais, além de priorizar os profissionais de saúde.

A frustração já estava crescendo. No início da semana passada, profissionais de enfermagem do Centro de Saúde da Família do Harlem, em Nova York, rodaram pelo bairro tentando encontrar pessoas que pudessem receber a vacina contra a Covid-19.

O centro de saúde tinha algumas doses extras da vacina da Moderna que haviam sido retiradas do armazenamento refrigerado. As doses deveriam ser aplicadas em profissionais de saúde, mas alguns não compareceram às consultas e o tempo estava correndo.

“A vacina expira seis horas depois de você tirar a primeira dose do frasco”, explicou Calman.

Os enfermeiros não podiam administrar a vacina a qualquer pessoa; no estado de Nova York, eles poderiam até enfrentar penalidades por isso. Sob o novo decreto estadual, os prestadores de serviços de saúde que administrarem conscientemente a vacina a pessoas fora dos grupos prioritários do estado podem enfrentar multas de até US$ 1 milhão, bem como ter suas licenças estaduais retiradas.

Naquela noite, os enfermeiros “foram à comunidade e a duas farmácias abertas e perguntaram se algum dos farmacêuticos que estavam lá queria a vacina”, contou Calman. “Daí foram até uma estação do corpo de bombeiros, que fica na mesma rua, para ver se alguém do corpo de bombeiros precisava de vacina… Depois foram até uma casa de repouso”.

No final daquela noite, ainda havia “três a quatro” doses restantes e elas foram descartadas, disse Calman.

“Devemos manter os níveis de prioridade: acho muito importante ter profissionais de saúde primeiro e poder trazer professores agora e outros”, relatou. “Mas, durante esse tempo, a comunidade de profissionais de saúde deve ser capaz de vacinar nossos pacientes de maior risco e usar o julgamento profissional em termos de quem são essas pessoas e para quem podemos obter a vacina”.

Questões a serem resolvidas

No restante do país, o Legacy Health, um sistema de saúde sem fins lucrativos com seis hospitais em Oregon e sudoeste de Washington, confirmou à CNN que, durante seus esforços de vacinação no mês passado, 27 doses da vacina da Pfizer/BioNTech Covid-19 foram descartadas porque expiraram antes que houvesse tempo de aplicá-las e também porque algumas informações iniciais fornecidas sobre a vacina não eram claras.

Brian Terrett, porta-voz da Legacy Health, explicou que os hospitais da Legacy Health programavam vacinações com base nas informações iniciais, desde que cada frasco da vacina contivesse cinco doses. Acontece que alguns frascos contêm seis ou sete doses – e, na época, os hospitais tinham doses extras, mas não havia ninguém programado ou disponível para administrá-las.

Portanto, “as 27 doses expiradas ocorreram no início de nosso esforço de vacinação, quando tínhamos mais vacinas do que pacientes. Ter seis ou sete doses em um frasco nos permitiu vacinar quase 700 pessoas a mais do que havíamos planejado. Para cada vacina vencida, o Legacy vacinou quase 25 pessoas a mais do que esperávamos”.

Com relatos de vacinas contra a Covid-19 em alguns hospitais que não são utilizadas surgindo em todo o país, a Associação Americana de Hospitais (AHA) respondeu em um comunicado que espera que “essas questões sejam resolvidas”.

A associação representa e atende hospitais e redes de saúde dos Estados Unidos.

“Os hospitais e sistemas de saúde dos Estados Unidos estão trabalhando duro para administrar as vacinas contra a Covid-19 da maneira mais rápida e segura possível, conforme prescrito no microplano de seu estado ou jurisdição local”, disse Rick Pollack, presidente e CEO da AHA, em comunicado enviado por e-mail à CNN na sexta (8).

“Ao mesmo tempo, continuamos a cuidar de uma grande quantidade de pacientes de Covid-19 em circunstâncias muito estressantes envolvendo falta de EPI, falta de trabalhadores e capacidade limitada de leitos na UTI em certas áreas. A vacinação em massa é um processo enorme e complexo – como qualquer outro esforço deste tipo – e sempre há obstáculos no caminho em qualquer grande empreendimento governamental, especialmente no início”, continuou Pollack. “Esperamos que essas questões sejam resolvidas e que o ritmo das vacinações aumente dramaticamente nas próximas semanas”.

Implementações lentas em asilos

A vacinação para residentes e funcionários de instituições de longa permanência também está lenta em muitos lugares. Na sexta-feira (8) de manhã, mais de 4 milhões de doses foram distribuídas para uso em instituições de cuidados de longa permanência, mas menos de 700 mil indivíduos elegíveis receberam sua primeira dose.

O governo federal fez parceria com as redes de farmácias CVS e a Walgreens para facilitar a vacinação nas casas de repouso.

Em um comunicado publicado na semana passada, a CVS disse que o número de residentes que precisam de vacinação foi cerca de 20 a 30% menor do que as projeções iniciais e que “a captação inicial entre os funcionários é baixa”, embora parte disso possa ser devido ao escalonamento da vacinação entre os funcionários.

Por sua vez, a Walgreens disse à CNN que quaisquer doses não utilizadas são realocadas para a próxima clínica programada em uma instituição de cuidados de longo prazo, e quaisquer doses que possam expirar antes disso “podem ser usadas para vacinar membros da equipe Walgreens que são elegíveis para receber vacinas como parte do plano da Fase 1a delineado pelo CDC e pelos estados”.

O estado de West Virginia tem liderado os Estados Unidos em doses de vacinas administradas per capita, e as instituições de longa permanência podem ser parte do motivo. West Virginia foi o único estado a optar por não participar do programa federal de distribuição da vacina contra a Covid-19 para funcionários e residentes de instituições – ele começou a vacinar as pessoas nessas instalações cerca de uma semana antes do início do programa federal em outros estados.

Mais de 40% das farmácias em West Virginia não são afiliadas a uma rede, e o estado queria priorizar os relacionamentos existentes, disse o governador em uma coletiva de imprensa em 16 de dezembro.

“Fizemos parceria com todas as farmácias de West Virginia”, disse o governador Jim Justice. “Achamos que, de uma perspectiva estadual, seguir o programa federal iria limitar nossa capacidade de distribuir e administrar rapidamente a vacina para a população necessitada”.

O estado também começou a abrir sua linha de vacinas prioritárias para além dos profissionais de saúde e residentes de casas de repouso – pessoas com 80 anos ou mais agora são elegíveis para receber a vacina.

Deidre McPhillips, Laura Ly e Naomi Thomas da CNN contribuíram para esta reportagem.

Fonte:https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/01/11/hospitais-dos-eua-jogam-fora-doses-de-vacina-por-falta-de-publico-alvo

Publicidade