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--- Praça do Pôr do Sol, na Zona Oeste de SP, será cercada por grades após pedido de moradores ---

por Cidadã FM

em 4 de fevereiro de 2021


A Praça Coronel Custódio Fernandes Pinheiro, conhecida como Praça do Pôr do Sol, no Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, receberá grades definitivas em seu entorno, após pedidos de associações de moradores da região.

Em abril de 2020, o local foi cercado por tapumes para evitar aglomerações durante a pandemia. Segundo a Prefeitura de São Paulo, os tapumes serão retirados após a instalação das grades. A gestão municipal já começou a realizar a obra no local.

Questionada, a Prefeitura informou que ainda estuda qual será o regulamento de uso da praça e horários de abertura. De acordo com a Subprefeitura de Pinheiros, o gradeamento tem o objetivo de “conservação do local, que contém características de parque e recebe grande quantidade de frequentadores”.

Em 2015, o então prefeito Fernando Haddad (PT), por decreto, transformou a praça em um parque. Dois anos depois, João Doria (PSDB), quando estava a frente da Prefeitura, revogou a medida. À época, o tucano disse que a revogação possibilitaria que o espaço fosse adotado pela iniciativa privada para a realização de melhorias, o que não aconteceu.

A obra para colocar grades ao redor da praça começou em dezembro de 2020 e custará R$ 652.953,78 aos cofres públicos, informou a Prefeitura de São Paulo. A instalação tem previsão de 60 dias, e ainda não há data de previsão para a reabertura da praça.

O pedido de fechamento da praça é uma demanda antiga da Associação Amigos do Alto de Pinheiros (SAAP) e da Associação de Moradores de City Boaçava. Os moradores da região reclamam que a praça reunia centenas de pessoas durante a noite e a madrugada, com música alta, o que perturbava o silêncio da vizinhança.

“De uns anos para cá, o uso da praça tem sido desvirtuado. Principalmente nos fins de semana quando há uma enchente de pessoas, e uma geração muito grande de lixo, infrações de estacionamento, uso das ruas como banheiro, e também consumo de drogas”, disse Marcelo Campagnolo, vice-presidente da SAAP.

A associação defende que a praça deve ser aberta a todos que queiram entrar, mas com regras de funcionamento, fechamento pela noite e reabertura pela manhã, semelhante aos parques.

Para o professor de Arquitetura e Urbanismo e coordenador do laboratório de políticas públicas da Universidade Mackenzie, Valter Caldana, a solução é simplista e ineficiente. “Vai na contramão do que as maiores cidades do mundo estão fazendo, que é valorizar os espaços públicos no sentido de aproximar a população do entorno imediato e da cidade como um todo do usufruto daquele espaço”.

“A coisa mais importante na construção da cidadania e da urbanidade é o sentimento de pertencimento”, afirma o arquiteto. Para o especialista, o dinheiro investido na obra poderia ser usado com outras medidas para tentar organizar o uso do local, como segurança passiva e programações de uso educacional do espaço.

“Claro que há inconvenientes no uso do espaço público, mas grade não é a solução”, afirma Valter.

A Praça do Pôr do Sol tem cerca de 28 mil metros quadros, o equivalente a mais de três campos de futebol, e é um dos principais espaços ao ar livre da Zona Oeste de São Paulo. O espaço foi criado nos anos 1960 pela arquiteta Miranda Martinelli Magnoli.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/02/04/praca-do-por-do-sol-na-zona-oeste-de-sp-e-cercada-por-grades-apos-pedido-de-moradores.ghtml