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--- Sustentável e saboroso, cacau da Amazônia está se tornando “o ouro negro” da floresta ---

por Cidadã FM

em 26 de janeiro de 2021


O cacau nativo da Amazônia, menos famoso que o cacau baiano, está cada vez mais se popularizando. Em 2020, o estado do Pará, agora o maior produtor do país, comercializou em torno de 140 mil toneladas do produto. Na floresta de várzea, os ribeirinhos aprendem a valorizar essa cultura para gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo.

A uma hora de barco de Belém, Manoel do Carmo Monteiro da Silva observa a vegetação de Barcarena enquanto dirige a “rabeta” — pequena embarcação típica da região – até a sua comunidade, em Bom Jardim. “Aqui, temos uma concentração de cacau nativo. Mas por falta de conhecimento e pelo preço do transporte, a cultura do cacau está se perdendo para dar lugar ao açaí”, lamenta o ribeirinho. “Mas eu vejo isso de outra forma!”, comemora. Manoel, mais conhecido como Xiba, tem até mesmo uma barra de chocolate com seu apelido: com 81% de concentração de cacau, a “Xiba” ganhou destaque no Salão do Chocolate, em Paris, a maior feira do setor na França. Os críticos perceberam um sabor de rosa no meu cacau, de origem muito humilde, e aí eu soube que estava fazendo um produto de grande qualidade”, diz, sem esconder seu orgulho.

NOSSA COZINHA

Sustentável e saboroso, cacau da Amazônia está se tornando “o ouro negro” da floresta

Cacau paraense: o estado passou a ser o maior produtor do país – Carlos Borges

Cacau paraense: o estado passou a ser o maior produtor do país

Imagem: Carlos Borges

 

Sarah Cozzolino, correspondente da RFI no Brasil

 

24/01/2021 19h23

 

O cacau nativo da Amazônia, menos famoso que o cacau baiano, está cada vez mais se popularizando. Em 2020, o estado do Pará, agora o maior produtor do país, comercializou em torno de 140 mil toneladas do produto. Na floresta de várzea, os ribeirinhos aprendem a valorizar essa cultura para gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo.

 

A uma hora de barco de Belém, Manoel do Carmo Monteiro da Silva observa a vegetação de Barcarena enquanto dirige a “rabeta” — pequena embarcação típica da região – até a sua comunidade, em Bom Jardim. “Aqui, temos uma concentração de cacau nativo. Mas por falta de conhecimento e pelo preço do transporte, a cultura do cacau está se perdendo para dar lugar ao açaí”, lamenta o ribeirinho. “Mas eu vejo isso de outra forma!”, comemora.

 

Manoel, mais conhecido como Xiba, tem até mesmo uma barra de chocolate com seu apelido: com 81% de concentração de cacau, a “Xiba” ganhou destaque no Salão do Chocolate, em Paris, a maior feira do setor na França. “Os críticos perceberam um sabor de rosa no meu cacau, de origem muito humilde, e aí eu soube que estava fazendo um produto de grande qualidade”, diz, sem esconder seu orgulho.

 

Cacau fino

Xiba aprendeu a cultivar o cacau com o pai, mas não para produzir chocolate e sim para consumir a polpa da fruta ou vender sua semente. Foi com o chocolatier da Amazônia Cesar de Mendes que o ribeirinho começou a fazer cacau fino, com fermentação e secagem das sementes. Hoje, ele consegue obter 500 kg da fruta a cada safra – uma em janeiro e outra em junho.

 

No entanto, a cada ano, Xiba tem a impressão que a produção diminui.

“Na época do meu pai, a terra dava muito cacau, era uma árvore em cima da outra. Esse ano já vou perder 30% em comparação com o ano passado.”.

Ele conta que recebeu muitas propostas para a venda da madeira da floresta onde mora, mas sempre se recusou a vendê-la. “É para o futuro. Os filhos dos meus filhos devem conhecer essas árvores, então tento preservar”, argumenta.

Graças ao conhecimento sobre a fermentação e secagem do cacau, o produto ganhou um valor extra. “Barcarena é um lugar muito interessante”, explica o chocolatier Cesar De Mendes, no seu sítio, em Santa Bárbara, onde cultiva vários tipos de frutas, da banana ao cacau. “É um solo argiloso e inundável, onde cresce o cacau nativo chamado ‘Maranhão’. Nos anos 1640, foi o primeiro cacau a ser exportado para Europa”, conta.

Chocolate que conta histórias Segundo o ex-engenheiro químico, agora chocolatier reconhecido, as particularidades do território onde cresce o cacau se sentem no paladar de quem o experimenta. As notas cítricas, amadeiradas, doces, dependem de vários fatores: as características do solo, a variedade da fruta, a incidência da luz, a disponibilidade de água, mas também do “equilíbrio microbiano” que fermenta o cacau. “Fora do Brasil, no mundo, tem em média 78 micro-organismos que fermentam o cacau. Na Amazônia, são 150!”, detalha.

NOSSA COZINHA

Sustentável e saboroso, cacau da Amazônia está se tornando “o ouro negro” da floresta

Cacau paraense: o estado passou a ser o maior produtor do país – Carlos Borges

Cacau paraense: o estado passou a ser o maior produtor do país

Imagem: Carlos Borges

 

Sarah Cozzolino, correspondente da RFI no Brasil

 

24/01/2021 19h23

 

O cacau nativo da Amazônia, menos famoso que o cacau baiano, está cada vez mais se popularizando. Em 2020, o estado do Pará, agora o maior produtor do país, comercializou em torno de 140 mil toneladas do produto. Na floresta de várzea, os ribeirinhos aprendem a valorizar essa cultura para gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo.

 

A uma hora de barco de Belém, Manoel do Carmo Monteiro da Silva observa a vegetação de Barcarena enquanto dirige a “rabeta” — pequena embarcação típica da região – até a sua comunidade, em Bom Jardim. “Aqui, temos uma concentração de cacau nativo. Mas por falta de conhecimento e pelo preço do transporte, a cultura do cacau está se perdendo para dar lugar ao açaí”, lamenta o ribeirinho. “Mas eu vejo isso de outra forma!”, comemora.

 

Manoel, mais conhecido como Xiba, tem até mesmo uma barra de chocolate com seu apelido: com 81% de concentração de cacau, a “Xiba” ganhou destaque no Salão do Chocolate, em Paris, a maior feira do setor na França. “Os críticos perceberam um sabor de rosa no meu cacau, de origem muito humilde, e aí eu soube que estava fazendo um produto de grande qualidade”, diz, sem esconder seu orgulho.

 

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Caminhar na floresta com Xiba é uma aula de botânica e ornitologia. Da andiroba até o canto do uirapuru, o local não apresenta quase nenhum segredo para ele.

 

Árvore de cacau – Carlos Borges – Carlos Borges

Imagem: Carlos Borges

Cacau fino

Xiba aprendeu a cultivar o cacau com o pai, mas não para produzir chocolate e sim para consumir a polpa da fruta ou vender sua semente. Foi com o chocolatier da Amazônia Cesar de Mendes que o ribeirinho começou a fazer cacau fino, com fermentação e secagem das sementes. Hoje, ele consegue obter 500 kg da fruta a cada safra – uma em janeiro e outra em junho.

No entanto, a cada ano, Xiba tem a impressão que a produção diminui.

Na época do meu pai, a terra dava muito cacau, era uma árvore em cima da outra. Esse ano já vou perder 30% em comparação com o ano passado.

Ele conta que recebeu muitas propostas para a venda da madeira da floresta onde mora, mas sempre se recusou a vendê-la. “É para o futuro. Os filhos dos meus filhos devem conhecer essas árvores, então tento preservar”, argumenta.

Graças ao conhecimento sobre a fermentação e secagem do cacau, o produto ganhou um valor extra. “Barcarena é um lugar muito interessante”, explica o chocolatier Cesar De Mendes, no seu sítio, em Santa Bárbara, onde cultiva vários tipos de frutas, da banana ao cacau. “É um solo argiloso e inundável, onde cresce o cacau nativo chamado ‘Maranhão’. Nos anos 1640, foi o primeiro cacau a ser exportado para Europa”, conta.

 

Chocolate que conta histórias

Segundo o ex-engenheiro químico, agora chocolatier reconhecido, as particularidades do território onde cresce o cacau se sentem no paladar de quem o experimenta. As notas cítricas, amadeiradas, doces, dependem de vários fatores: as características do solo, a variedade da fruta, a incidência da luz, a disponibilidade de água, mas também do “equilíbrio microbiano” que fermenta o cacau. “Fora do Brasil, no mundo, tem em média 78 micro-organismos que fermentam o cacau. Na Amazônia, são 150!”, detalha.

De Mendes é um dos chocolatiers pioneiros na Amazônia, integrante do movimento “tree to bar”, da árvore à barra. Os tabletes de chocolate que ele vende contém poucos ingredientes: o cacau das comunidades com quem trabalha, a manteiga da própria fruta e rapadura orgânica.

 

Na embalagem de cada barra estão as coordenadas geográficas do local de origem do cacau, além da história dos produtores. “Eles são os protagonistas, não a gente”, salienta De Mendes.

Para mim, esse chocolate é uma ferramenta para mostrar que pode ser viável manter essa floresta em pé, que podemos fazer comércio sem desmatar, preservando a cultura dos povos tradicionais” Através do seu chocolate, De Mendes também garante uma renda digna para as comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas com quem trabalha. Na cadeia do cacau, os produtores ganham geralmente 7% da renda do produto final, e o comércio fica com 43%. De Mendes tenta pagar aos produtores pelo menos o dobro do preço do mercado.

Em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) ele conta que produziu chocolate junto com a comunidade indígena Yanomami, que vende 50 gramas por R$ 50. A renda inteira volta para a comunidade. “Uma forma de ajudar”, segundo o chocolatier.

Filhas do Combu

Ainda é raro encontrar produtores de cacau que sabem fazer o próprio chocolate. Izete dos Santos Costa é uma dessas pessoas apaixonadas por essa arte. Popularmente conhecida como Dona Nena, a ribeirinha mora na ilha do Combu, na frente de Belém. Ela criou a sua própria marca de chocolate, “Filhas do Combu”, que produz com outras mulheres da família.

Fonte: https://www.uol.com.br/nossa/noticias/rfi/2021/01/24/sustentavel-e-saboroso-cacau-da-amazonia-esta-se-tornando-o-ouro-negro-da-floresta.htm

 

 

 

 

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