4 caminhos para ensinar crianças a lidarem com dinheiro nas férias

DO1 Economia | 30 de junho de 2021


Imagem Divulgação

Este período de férias que se aproxima é uma ótima oportunidade para o debate sobre o papel dos pais no desenvolvimento da educação financeira dos filhos. Isso, principalmente, pelo fato de que não é mais possível se omitir sobre esse tema e que vivemos tempos atípicos de pandemias que podem ser bem utilizados para aprendizados.

Lembrando que, o fato das pessoas não aprenderem e ensinarem sobre o tema tem como resultado claro o fato do Brasil ter atualmente grande parte da população endividado e inadimplente. E isso já ocorria antes da pandemia.

“Mesmo durante o isolamento social, o que observamos é um cenário de consumismo desenfreado, população endividada ou frustrada por não conseguir realizar seus sonhos, ensinar como lidar com dinheiro e anseios para crianças e jovens tornou-se um dos principais desafios de pais. Lembro que as famílias têm papel fundamental no significado que os filhos atribuem ao dinheiro e a forma como se lida com seus recursos financeiros pode influenciar a maneira como a criança irá administrar seus bens no futuro”, explica Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira e autor do livro Mesada não é só dinheiro (Editora DSOP);

Ele conta que muitos pais, que não receberam orientações dessa natureza e encontram dificuldades em transmitir esse tipo de conhecimento. Um dos caminhos para famílias educarem financeiramente seus filhos é estimular que esses identifiquem seus sonhos de curto, médio e longo prazos; ensinando a investigar quanto custam esses e, junto com os pais, começarem a poupar, por isso o período de férias é tão indicado. Reinaldo Domingos preparou quatro orientações de como os pais podem educar financeiramente os filhos:

Comece cedo – O quanto antes começar abordar o tema melhor, é uma característica das crianças serem muito observadores e aprenderem com mais facilidade. Elas começam cedo a perceber que o dinheiro tem uma importância na vida dos pais e, em paralelo, tem estabelecido os desejos de consumo, assim, a partir da percepção deste entendimento, que ocorre normalmente por volta dos três anos, já deve ter início a educação financeira. Lembrando que ela deve ser trabalhada como algo comportamental – trabalhando sonhos e desejos – e não apenas contas matemáticas, pois isso poderá causar repulsa sobre o tema.

Combata o consumismo – O antídoto para os possíveis efeitos nocivos do estímulo ao consumo é envolver esses nas decisões familiares sobre os gastos, colocando os sonhos em primeiro lugar. Temos de mostrar que é preciso ter objetivos, fazer escolhas e que nada é mágico, porém, tudo é possível, desde que o dinheiro seja usado com foco e sabedoria. Dessa forma, habitua-se as crianças e jovens que acordos não significam negação, mas sim negociação. Eles perceberão que é possível ter, porém, nem sempre no momento que se quer. Essa prática também ajuda a aliviar o sentimento de culpa de muitos pais porque, nesse exercício, eles também aprendem a se reeducar financeiramente e deixam de ver o dinheiro – ou o poder de comprar – como uma válvula de escape para suprir lacunas em outros aspectos da vida.

Consumismo é efeito, combata a causa – Uma criança que não é educada financeiramente trará grandes problemas de descontrole para os pais, por querer tudo que vê e fazer ‘birra’. Assim, se ela não entender os limites que o dinheiro estabelece, a exposição às ações publicitárias fará com que esta se tornem cada vez mais cedo consumistas. Hoje a criança é elevada ao status de consumidora sem estar preparada. E a publicidade utiliza de propagandas são apelativas, que causam desejos imediatos nas crianças de querer o produto, e isso não significa necessariamente que essa criança é excessivamente consumista, pois, esse desejo será rapidamente esquecido, desde que ela entenda que precisa de limites para realizar sonhos.

Seja o exemplo – Os pais são referências para os filhos, ocorre que cada família deve ter seus valores, mas mesmo assim é necessário cuidado. Se a criança vê os pais comprando sem parar, vão tender a seguir esse exemplo e acabar ficando desta forma. Assim, é fundamental ter muito cuidado com o exemplo que os familiares passam, e desde cedo demonstrar que a felicidade não está associada ao consumismo desenfreado e sim na atitude de atingir seus objetivos. No caso do exemplo externo, a família também terá um papel de grande relevância, que é o de estabelecer os limites para esta atitude. Os pais podem reforçar ou não a atitude consumista da criança e se o comportamento da criança não mudar nesse primeiro momento é muito provável que ela se torne um adulto sem limite nos seus gastos.

Fonte: ABEFIN