Tecnologia blockchain possibilitou recuperação ambiental completa na Lagoa de Carapicuíba

1 de junho de 2021

A disposição inadequada de resíduos é uma das principais causas da degradação do meio ambiente, principalmente quando se trata do descarte de resíduos das atividades da construção civil e materiais provenientes de demolição. Com grandes desafios e o objetivo de recuperar uma área bastante danificada por esse tipo de ação, a Fral Consultoria colocou em prática o projeto de recuperação ambiental e inserção urbana da região da antiga Cava de Mineração de Barueri, mais conhecida como Lagoa de Carapicuíba. Por meio de um sistema que utiliza tecnologia blockchain, garantiu a rastreabilidade das informações, em tempo real, de cada etapa do processo, como data e local da coleta e quantos quilos foram retirados, além da certeza de que o material teve destinação final correta.

“Para um gerenciamento efetivo é preciso investimento tecnológico e, após um ano em função do aprimoramento do sistema para que nada fosse ‘burlado’, conseguimos obter a rastreabilidade de tudo que era feito na Cava. Desde o controle da geração e origem dos materiais, até mesmo a rota que os caminhões percorriam e o local em que os resíduos eram depositados. Para se ter uma ideia, se o condutor do veículo abrisse a caçamba em algum lugar que não fosse a Cava, éramos notificados. Esse projeto se tornou o maior ‘bota fora’ de obra pública do país”, explica Francisco Oliveira, engenheiro, supervisor ambiental da obra e fundador da Fral Consultoria.

O local, com 16 milhões de metros cúbicos localizado às margens do rio Tietê, entre os Municípios de Carapicuíba e Barueri, foi inundado, no início da década de 70, pelas águas poluídas do rio. Ao longo do tempo, recebeu esgoto das comunidades vizinhas, líquidos (chorume) do antigo lixão do município de Carapicuíba e, por diversas tentativas de aterramento irresponsável, tornou-se um aterro de materiais predominantemente terrosos, de construção civil e demolição e um ambiente bastante contaminado.

O projeto previa a recuperação da área do entorno, promovendo melhoria da qualidade de vida da população local por meio de ações de saneamento básico, implantação de áreas de lazer com a ampliação do parque público, geração de emprego e renda, dentre outros benefícios sociais, econômicos e ambientais. E logo na primeira fase, possibilitou a construção da ETEC, da FATEC e do Parque Gabriel Chucre, administrado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

“Esse projeto foi uma quebra de paradigma porque todos os entulhos tiveram a destinação adequada, nada foi jogado em córregos. Hoje, a Lagoa de Carapicuíba é muito valorizada para fins comerciais de alto padrão ou uso logístico. Foi transformada em um espaço multifuncional que atenderá a vários municípios como Osasco, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba”, finaliza Francisco Oliveira.

São corresponsáveis pelo projeto de recuperação ambiental os proprietários do local, as Prefeituras de Carapicuíba e Barueri, o DAEE, CPTM, CDHU, representada atualmente pela Casa Paulista, e SABESP. O Compromisso foi firmado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, promovido pelo Ministério Público local, responsável pelo acompanhamento e cobrança das responsabilidades de cada instituição signatária.

Fonte: ML&A Comunicações