Sinais de um relacionamento abusivo



Por Mulher Cidadã em 8 de maio de 2019


Se você está com alguém que só aponta os seus defeitos, te critica o tempo todo, diz que se envergonha do seu jeito de ser e de tudo o que você faz, existe uma enorme chance de que esteja vivendo uma relação abusiva.

Quando a pessoa que diz nos amar insiste em nos humilhar e nos desqualificar, é muito provável que ela seja uma pessoa perversa, tóxica e abusiva. O convívio com ela pode nos levar a cometer um grande erro: acreditarmos realmente nessa nossa “insuficiência”. É preciso aprender a reconhecer o abuso, e preservar-se!

A relação abusiva caracteriza-se pelo excesso de poder, controle e manipulação de um parceiro sobre o outro. Esse comportamento costuma começar de forma discreta e sutil, mas, com o tempo, cresce, tornar-se frequente, ocupa espaço na relação e desequilibra completamente a convivência, causando muito sofrimento e mal-estar.

“Mas meu companheiro não me bate, ele só me xinga…”

Quando se trata de relacionamento abusivo, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a de uma relação que envolve violência física, abuso e agressão, e que, quase sempre, nos remete a um contexto de abuso sexual, exploração e comportamento distorcido invasivo.

É muito importante desfazer o mito de que a relação abusiva envolve necessariamente a prática de atos de violência, agressões físicas ou estupros. A violência psicológica ou moral é tão grave quanto a violência física. E muitos homens também são vítimas de relacionamentos abusivos. Vítimas são vítimas, independente do gênero. Homens e mulheres podem oprimir ou serem oprimidos pelos parceiros.

30 Sinais de que você pode estar em uma relação abusiva

Existem alguns sinais importantes que definem um relacionamento como abusivo, e é fundamental que quem desconfia estar sendo vítima disto, conte com o apoio psicológico e, às vezes, até da polícia e da Justiça. A psicóloga Fernanda Siqueira Steinecke Posselt, que atua na região do Morumbi, em São Paulo, ressalta que “muitas vítimas não conseguem entender o que está se passando com elas, não veem a dinâmica perversa da relação, e por isso não conseguem sair dela.”

Segundo ela, uma boa dica é estar atento aos excessos em relação ao controle: possessividade, ciúmes, violência, agressividade, e perceber se estas ações têm causado desconforto, medo e mal-estar.

Veja abaixo uma lista com alguns comportamentos abusivos, para que você analise se os reconhece, ou não. Embora a presença isolada de um desses comportamentos não seja indicação suficiente de abuso, eles são pistas importantes sobre como caminha sua relação.

Esta avaliação é íntima e pode ajudá-lo(a) bastante. Não invente desculpas para você mesmo, como “mas isto só ocorreu 2 vezes”, ou “aquele dia não valeu, meu companheiro estava de cabeça quente, teve um dia ruim no trabalho”, etc.

Você pode estar em uma relação abusiva se o seu companheiro(a):

1. Tem falta de constância, oras sendo muito bom, como promessas e carinho e, no momento seguinte, sendo muito ruim, criando sempre um ciclo vicioso de expectativa e insegurança.

2. Te humilha e constrange na frente dos amigos e da família.

3. Evita que você fique perto dos amigos e da família. Te força a se distanciar de qualquer pessoa que possa te dar apoio.

4. Minimiza suas conquistas e nunca te incentiva a conquistar seus sonhos.

5. Atribui a você os defeitos e maus comportamentos dele. Diz que você é mentiroso, manipulador, promíscuo, agressivo, e tudo o que na verdade, ele acha dele mesmo.

6. Faz com que você se sinta incapaz de tomar decisões.

7. Te pressiona sexualmente.

8. Interfere excessivamente em suas roupas, sapatos, penteado, maquiagem.

9. Tira seus próprios objetos de você ou controla o uso que você faz deles.

10. Se diz superior a você por ter uma posição social ou econômica mais privilegiada que a sua.

11. Diz que você não é nada, nem ninguém, sem ele.

12. Te trata de maneira grosseira, te agarrando, empurrando ou até agredindo.

13. Não faz uma coisa que sabe que você gosta, para que você precise “implorar” pelo que quer (ex.: faz questão de deixar a TV ligada com volume alto de madrugada, justamente porque sabe que você não consegue dormir com o barulho).

14. Comete traição e inventa desculpas e mentiras para encobri-las.

15. Controla sua vida com aparições surpresa.

16. Tem um padrão de grandiosidade, é narcisista, egocêntrico e tem necessidade de ser admirado.

17. Usa as drogas e o álcool como desculpa para comportamentos abusivos.

18. Te explora financeiramente, dizendo que está “sem condições”.

19. Faz ameaças se você fala em sair do relacionamento.

20. Manipula uma dinâmica de ameaças e punições para te “ensinar lições”, por trás de uma aparência fragilizada e de vítima.

21. É mestre em “jogos sem vitória”, apresentando com frequência 2 opções ruins, nas quais você sempre sai perdendo. (Ex.: sabendo que você gostaria de ficar em casa, porque está com forte dor de cabeça, seu parceiro(a) te dá apenas duas opções: ir à “balada” ou ao “barzinho com a galera”).

22. Te trata como objeto. Te mantém a disposição ou te descarta, de acordo com as necessidades dele(a).

23. É manipulador e mentiroso patológico.

24. Tem constantes explosões verbais, físicas ou emocionais, sempre desproporcionais à situação real. Chega, inclusive, a descontar a agressividade socando paredes, batendo portas ou quebrando objetos.

25. Vive testando seus conhecimentos com o objetivo de te diminuir.

26. Passa horas te ignorando, no mais absoluto silêncio, com caráter punitivo e injustificado, e, se questionado do motivo, a resposta é sempre algo como “Você sabe muito bem porque eu estou assim.” – mesmo que você não tenha ideia do que ele(a) está falando.

27. Simula nunca entender o que você diz, afirma que você está sempre errado(a) ou que você está delirando.

28. Nunca te agrediu fisicamente, mas você fica com hematomas pelo corpo, pois ele costuma “te acalmar”, segurando firme nos seus braços ou te “abraçando” com força.

29. Diz coisas do tipo “Nunca ninguém vai querer você. Você tem muita sorte de me ter ao seu lado”.

30. Faz você sentir que você mereceu receber uma agressão (mesmo que não haja violência física).