Início das comemorações dos 90 anos de Augusto de Campos

por Painel Cultural
em 23/dez/2020

A Secretaria Municipal de Cultura e a Biblioteca Mário de Andrade iniciam a homenagem aos 90 anos de Augusto de Campos — a serem comemorados no dia 14 de fevereiro de 2021 — com a exposição “Poema cidadecitycité pela cidade”, em cartaz de 23 de dezembro de 2020 a 23 de abril de 2021. A mostra gira em torno do poema “cidadecitycité”, que Augusto de Campos definiu como “o maior poema de uma única palavra já escrito”.

O grande destaque é a versão audiovisual – um painel de led com 10 metros de comprimento que será instalado na fachada principal da Biblioteca Mário de Andrade, na rua da Consolação, 94. A exposição reúne, ainda, no hall de entrada, distintas versões do poema, criado em 1963, desde os primeiros experimentos gráficos até as versões audiovisuais posteriores, além de registros e documentos históricos.

A versão em led foi desenvolvida para a exposição REVER – Augusto de Campos, realizada em 2016 no SESC Pompeia, como resultado de um processo de composição coletiva entre o poeta e o curador Daniel Rangel, que também assina a curadoria das homenagens na Biblioteca Mário de Andrade. De acordo com Rangel, “a instalação em led de cidadecitycité é uma tradução intersemiótica multimídia pensada para o espaço público que ganha aqui uma maior potência por estar exposta no centro de São Paulo, cidade diretamente conectada com o poema e com a própria trajetória da poesia concreta de Augusto de Campos e de seus companheiros.”

“É uma alegria e honra muito grandes para a Biblioteca Mário de Andrade iniciar as homenagens ao poeta Augusto de Campos”, afirma Joselia Aguiar, diretora da instituição. “Nos sentimos honrados em poder acolher essa exposição de agora e também a que será aberta em 2021, além de outras atividades em torno de sua vida e trajetória que ainda estão sendo planejadas”.

SOBRE AUGUSTO DE CAMPOS

Poeta, ensaísta, tradutor e crítico de literatura e música, Augusto de Campos nasceu em São Paulo em 1931 e publicou seus primeiros poemas na Revista Brasileira de Poesia em 1949. Desvencilhando-se das correntes tradicionais da poesia da época, uniu-se ao seu irmão Haroldo de Campos e ao também poeta Décio Pignatari e criam o grupo “Noigandres”, com uma revista de mesmo nome, dedicados à experimentação de novas formas e atraindo jovens poetas inclinados para essa linha de experimentação. Em 1956, os poetas lançaram oficialmente o manifesto literário da poesia concreta no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Desde então, a força poética de Augusto de Campos passa a ganhar múltiplas derivações e materialidades por meio de produções que situam seu trabalho na fronteira com as artes visuais, instalando sua presença na cena da poesia concreta internacional. Sua trajetória reúne parcerias com compositores como Caetano Veloso e Arnaldo Antunes, além de relevantes contribuições à crítica literária brasileira e traduções para o português de autores como Ezra Pound, e.e. Cummings, Mallarmé, Joyce e Maiakovski.

Junto ao artista visual Julio Plaza, lançou Caixa Preta (1974) e Poemóbiles (1975), conjuntos de poemas visuais e poemas-objetos manipuláveis, e em 1979, saiu VIVA VAIA, a primeira de suas quatro coletâneas poéticas editadas até então. Laureado com o prêmio Pablo Neruda em 2016, no Chile, e, no ano seguinte, com o prêmio Janus Pannonius, na Hungria, chamado pelo NYT de “Nobel da Poesia”, Augusto é um dos mais importantes poetas do mundo.

SOBRE CIDADECITYCITÉ

O poema cidadecitycité foi concebido em 1963, e trata-se de uma obra prima da poesia concreta brasileira. Sua composição é uma reunião de vários prefixos de palavras terminadas com “cidade, city ou cité” , cuja escrita coincide nesses três idiomas: português, inglês ou francês em uma única palavra. “No entanto, o resultado foi regido pelo acaso, como em “un coup de dés”, de Stepháne Mallarmé, no readymade de Marcel Duchamp, ou, sobretudo, a partir das composições de John Cage, todos importantes referências para Augusto”, reflete Rangel.

A exposição “Poema cidadecitycité pela cidade” reúne as distintas versões do poema, desde 1963 até a atualidade, incluindo aquelas impressas em papel, em adesivo vinil de recorte, além das distintas gravações sonoras do poeta recitando o poema como a realizada em meados dos anos 1990, em conjunto com seu filho e músico Cid Campos, que serviu ainda de base para edição do vídeo que o artista-poeta realizou posteriormente.

COMEMORAÇÕES DOS 90 ANOS DE AUGUSTO DE CAMPOS NA BIBLIOTECA MÁRIO DE ANDRADE

Além da exposição “Poema cidadecitycité pela cidade”, está prevista para o próximo ano, na mesma instituição, a abertura da exposição Transletras, com curadoria de Daniel Rangel. A mostra, que foi contemplada no Edital PROAC 2019, reúne cerca de 35 colagens inéditas realizadas por Augusto de Campos entre os meados dos anos 1970 e 1990, nas quais utilizou fontes adesivas da empresa letraset para compor os poemas, que posteriormente se tornaram, em sua maioria, vídeos animados. Ainda estão sendo planejadas uma série de ações que se desdobram a partir das exposições, como ciclos de conversas, apresentações e lançamentos e que serão divulgadas em breve.

No próximo ano, a cidade de São Paulo – que em 1956 sediava a primeira exposição nacional de arte concreta reunindo poesia, escultura e pintura no Museu de Arte Moderna, marcando o início do movimento concretista no Brasil – torna-se ela mesma o cenário, mais de seis décadas depois, das homenagens a um dos maiores expoentes da vanguarda que despontou naquela época e que vem influenciando a produção cultural brasileira desde então.

Informações


Data: 23/12
/ BibliotecaMarioDeAndrade
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