133 recordes pessoais. É isso mesmo?

Postado por Viva Melhor em 17/out/2020


O que se viu no mundial de meia-maratona de 2020 realizado na cidade polonesa de Gdynia provavelmente não se repetirá em toda a história da corrida de rua.

Em outros anos, qualquer pessoa ficaria chocada ao analisar os resultados finais das provas masculinas e femininas e logo algumas teorias surgiriam para explicar o ocorrido. Vento a favor, corrida em descida, prova mais curta?

Mas em 2020, um ano marcado por uma pandemia que alterou as rotinas em todos os cantos do mundo, os resultados da prova polonesa não surpreendem e nem causam estranheza.

Para ilustrar o que aconteceu, de um total de 228 atletas concluintes em ambas as disputas (feminina e masculina) tivemos nada mais nada menos do que 133 atletas correndo para a sua melhor marca pessoal. Destaco que estamos falando de atletas de elite, com muita experiência e uma vida de treinamentos, atletas que se dedicam diariamente com muito “sangue, suor e lágrimas”, para conseguir melhorar suas marcas em “míseros” segundos, ou seja, atletas que sabem que melhorar uma marca pessoal não acontece a todo momento.

Destas melhores marcas pessoais, tivemos 20 recordes nacionais e, entre as mulheres, as três primeiras colocadas correram abaixo do antigo recorde mundial.

No universo da corrida de rua, muito tem se falado sobre os novos tênis com placas de fibra de carbono em suas solas e, uma grande discussão foi criada em torno destes novos “equipamentos” dos corredores, tanto que a World Athletics, entidade que rege o atletismo no mundo, teve que criar novas regras para regulamentar esta nova geração de calçados.

A verdade é que nunca houve um período de tempo em que tantos recordes mundiais foram estabelecidos como acontece atualmente e, na minha opinião, os novos tênis tem uma grande influência.

Para alguns estas marcas deveriam ser descartadas pois foram conseguidas através de “doping tecnológico”, para outros o avanço da tecnologia sempre aconteceu e as novas marcas sempre foram alcançadas com o uso da tecnologia que existia no momento.

A polêmica continua, os tênis evoluem e os recordes prosseguem caindo.