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Exposição inspirada em livro de Jorge Amado estréia na Cidade Universitária

por Folha do Butantã
em 07/maio/2019

A exposição A Imagem e a Palavra – Mar Morto, Jorge Amado, que reúne obras de novos e consagrados artistas a partir da leitura do livro do escritor baiano, será inaugurada nesta quarta-feira, dia 8, das 16 às 18 horas, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), com apresentação do grupo Mosaico. A mostra, com idealização e coordenação da artista plástica Altina Felício, não é a primeira realizada nesse formato – no ano passado, uma experiência bem-sucedida já havia sido baseada no clássico Macunaíma, de Mário de Andrade.

Mar Morto, publicado em 1936, quando Jorge Amado (1912-2001) tinha apenas 24 anos, é um livro poético que apresenta a vida dos marinheiros no cais de Salvador e sua luta diária pela sobrevivência. Com descrições ricas sobre as cerimônias religiosas de matriz africana, assim como músicas e outras manifestações culturais, o livro é um marco para a valorização dos costumes e das tradições que formam o povo brasileiro.

A obra inspirou Dorival Caymmi a compor um de seus maiores sucessos, Como é Doce Morrer no Mar, uma radionovela na década de 40, uma adaptação para os quadrinhos, em 1960, e até uma novela global, em 2001, só para citar alguns exemplos. Também recebeu o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Para Mário de Andrade, em carta endereçada ao escritor, Mar Morto transformou Jorge Amado em “doutor em romance”. Já a escritora Ana Maria Machado escreveu, no posfácio de uma edição do livro, que “ninguém poderia imaginar que conquistaria o mundo e exportaria essa imagem de baianidade por uma enorme quantidade de línguas e culturas”.

Como diz a artista Altina Felício, Mar Morto, quinto livro de Jorge Amado, descreve um universo regional, retratando uma vida bastante diferente de cidades como São Paulo, por exemplo. “Traz os pescadores, pessoas pobres que lutam pela vida, e de uma forma muito interessante, porque vivem do mar e de sua instabilidade, mas não se incomodam com isso – eles já nasceram, cresceram, sabendo que vão morrer ali.”

 

Fonte: Jornal da USP